Jainismo: Significado e História

A Índia é considerada por muitos estudiosos como o lugar mais incrível para se explorar o pensamento humano. Nesse país milenar, a tradição da meditação e da problemática do pensamento sempre esteve presente e passou suas influências pelo Velho Mundo inteiro. Até hoje, visitar a Índia é um exercício de entender a diferença e as questões existenciais que tanto nos aflige.

Essa tradição também proporcionou o nascimento de diversas religiões milenares na região. Assim como o hinduísmo e o budismo, o jainismo é uma das mais antigas, tendo sido fundada aproximadamente em meados do século V a.C. pela personalidade espiritual Mahariva, reconhecido pelos jainistas.

Aspectos gerais do Jainismo

O Jainismo pode nos acometer a profundas reflexões sobre o valor da vida, o respeito e aos princípios básicos da convivência. Os seguidores dessa religião se concentram quase por inteiro na Índia, a não ser por algumas comunidades na América do Norte e Europa que se estabeleceram por migração. Não é comum que os jainistas tenham um espírito missionário.

Jainismo
Jainismo

Apesar de ser uma das religiões mais antigas da Índia, a falta – ou a não necessidade – do espírito missionário evitou que essa religião fosse mais difundida. Atualmente, estima-se que existam aproximadamente 4 milhões de seguidores, o que representa pouco em comparação ao hinduísmo, com cerca de 800 milhões.

Apesar de Mahavira ter sido o fundador, ele é para os jainistas o 24º dos Tirthankaras, ou seja, seres que alcançaram a perfeição espiritual. Assim, essse sujeito teria recebido uma herança ideológica dos 23 anteriores. Com isso, Mahavira pôde estabelecer outros pilares e fundar a religião.

Ideais jainistas

Os jainistas respeitam a vida acima de tudo. Não só a vida humana, mas qualquer outro tipo de vida. É comum que os adeptos dessa religião não matem insetos ou pequenos animais sem necessidade. Como parte de suas poucas vestimentas, há um pano que é colocado em frente a boca, para evitar que algum inseto voador seja engolido e morto por acidente.

Templo Jainista
Templo Jainista

Os princípios mais importantes foram ditados pelos 23º Tirthankara, a quem os jainistas chamam de Parshva. Os princípios estabelecidos foram: Princípio da não violência, da evitação da mentira, não apropriação do que é alheio e da falta de apego aos bens materiais.

Dessa forma, os jainistas em sua maioria decidem viver a vida monástica, se afastando do mundo e do consumismo. Os adeptos que não escolhem esse tipo de vida tentam seguir os ideias da melhor forma possível. Em uma das divisões radicais dessa religião, os adeptos não possuem até mesmo vestimentas.

Questões essenciais

Os jainismo vê o tempo como eterno e cíclico. Para eles, existe o tempo ascendente e descendente, sendo que, segundo o cânone do pensamento jainista, estaríamos no tempo descendente, na chamada “Era de Infelicidade”. Esse teria se iniciado a mais de 2500 e durará por aproximadamente 21 mil anos.

Para eles, não existe nenhum tipo de ser criador ou mantenedor do universo. Os jainistas acreditam que o universo sempre existiu e não houve a necessidade de ser criado pelo fato de ser eterno, assim como a própria religião é considerada eterna. É interessante saber que os jainistas utilizam a suástica como símbolo sagrado em quase todos os cultos.

O Karma é bem parecido com o ideal budista e hinduísta. A diferença fundamental se prolonga na materialização do karma feita pelos jainistas. Para eles, todo o karma é configurado em matéria física que é afixada a alma do indivíduo. Sendo a matéria boa ou ruim, isso será determinante para o nível de felicidade ou infelicidade do indivíduo.

Só é possível conseguir o nível de perfeição espiritual quando o indivíduo consegue abstrair toda a matéria de Karma afixada em sua alma. Para isso, os jainistas utilizam o jejum, a meditação e o isolamento para se purificarem e alcançarem níveis de espírito mais altos e próximos a perfeição. A alma estaria mais próxima quando as ações do adepto serviriam a favor da vida e ao bem dos outros indivíduos.

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